• Levi Soares

O que a quarentena já nos deu de bom?


Sir Isaac Newton em pintura por John Adam Houston.


Há algumas semanas, um vírus colocou grande parte do mundo numa situação de isolamento. Trata-se do Covid 19 (ou Corona Vírus, como é mais conhecido). É um vírus que se originou numa província chinesa e rapidamente se espalhou pelo planeta. A solução encontrada foi uma medida de quarentena, que, para maioria das pessoas, trata-se de uma experiência totalmente nova e angustiante.


Portanto, ficar em casa tem sido a principal recomendação para interromper o avanço do vírus. As pessoas tem enfrentado este período de quarentena de maneira diferente. Para muitos, este é um tempo de dor e sofrimento por conta das privações, dos medos, dos problemas financeiros, da saudade de parentes e amigos... Alguns aproveitam este período em casa para se aproximar da família, para relaxar, trabalhar... e também estudar.


Sobre o assunto, uma curiosidade histórica merece ser lembrada. Afinal, acreditamos que as notícias e fatos positivos devem ser sempre lembrados, não por sentimentalismo barato, mas porque mensagens de esperança e superação costumam nos dar força e sentido para a vida. Continuemos com a história.


Trata-se de um momento da vida de Isaac Newton, um famoso cientista que viveu entre os séculos XVII e XVIII. Isto aconteceu no ano de 1665, período em que a Inglaterra sofreu com a “Grande Praga de Londres”, uma epidemia de peste negra. Esta doença, também conhecida como peste bubônica ceifou milhares de vidas da sociedade europeia séculos antes, durante a Idade Média.


O fato é que um ano após o início da epidemia, em 1666, a Universidade de Cambridge suspendeu suas atividades para enfrentar o avanço da doença. Isaac Newton, que era estudante desta instituição, ficou isolado na casa de sua mãe. Foi neste período que o cientista desenvolveria algumas teorias que o tornariam célebre tempos mais tarde.


Neste período, elaborou teorias como a lei da gravitação universal, o teorema binomial, o cálculo diferencial e integral e a natureza das cores. Foi neste mesmo período que ocorreu a célebre cena onde Newton “constataria” a gravidade ao ver uma maçã cair de uma árvore e “compreender” que terra possui uma força que atraí os corpos para baixo.


Dois anos depois, encerrada a epidemia (que tirou cerca de 100.000 vidas londrinas em 16 meses), Isaac Newton tornar ia-se professor da Universidade de Cambridge em função das teorias desenvolvidas no período de isolamento. Estas mesmas teorias seriam importantíssimas para o desenvolvimento do cálculo e da física modernos. Pode parecer loucura, mas sem a doença que violentou a Inglaterra, Newton poderia jamais ter chegado a estas ideias.


Isaac Newton não seria o único. Alguns anos antes e também na Inglaterra, o teatrólogo William Shakespeare também seria forçado a uma quarentena pela peste negra. Com os teatros fechados, pesquisadores acreditam que foi neste período que foi escrita a peça Rei Lear, um verdadeiro clássico do teatro e da literatura ocidental (DICKSON, 2016).


O filósofo francês Albert Camus também desenvolveria, no século XX, trabalhos durante um período de isolamento na Argélia em função de uma doença, coincidentemente também a peste negra. Foi neste confinamento que foi redigido seu livro “A peste”, um livro que fala justamente sobre a experiência em meio a uma epidemia.





E o que estas histórias nos ensinam? Que situações frutíferas sempre podem acontecer mesmo em situações ruins. Isto também nos lembra o que diz Viktor Frankl, que sempre há liberdade para o homem, mesmo quando as coisas não podem ser transformados. Trata-se da liberdade para enfrentar o sofrimento de forma mais digna, mais elevada.


É o que devemos ter em mente nestes tempos difíceis que vivenciamos!

Referências

DICKSON, Andrew. The Globe Guide to Shakespeare: the plays, the productions, the life. Cambridge: Profile Books, 2006.

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