• Levi Soares

Disfunção Erétil e Ejaculação Precoce

Atualizado: 10 de Dez de 2019


O que é?

Sexualidade masculina

Sintomas da disfunção erétil (ou impotência sexual masculina)

Sintomas da ejaculação precoce

Fatores de risco para disfunção erétil e ejaculação precoce

Como surgem os problemas psicológicos


O que é?

Disfunção erétil, também conhecida como impotência sexual masculina e Ejaculação Precoce são problemas bastante comuns na sexualidade do homem. Existem também outros transtornos ligados a sexualidade, porém, abordaremos os dois mais recorrentes.

Estes problemas alteram drasticamente a saúde e a qualidade de vida do homem, tanto por privá-lo de momentos prazerosos (que passam a ser angustiantes) como por colocar em cheque sua masculinidade (devido a fatores culturais) e, consequentemente atingir a autoestima.

Além disto, essas doenças também geram impactos no relacionamento com a companheira(o), podendo ocasionar inclusive para separação. Também podem existir danos à(o) parceira(o), que passa a se considerar como parte do problema. Muito disto se dá devido à falta de informações acerca do tema, por isto, é importante conhecer o quadro diagnóstico para, em seguida, iniciar um tratamento.


Sexualidade masculina

A sexualidade humana é extremamente complexa. Isto porque, diferentemente do que se acredita no senso comum, ela não é um simples fenômeno corporal. A sexualidade envolve basicamente 3 esferas do homem: uma biológica (ou fisiológica), uma psicológica (ou emotivo-afetiva) e também uma espiritual (ou transcendente, já que em determinados contextos a prática sexual se eleva para além da reprodução e do prazer).


A sexualidade masculina especificamente se torna um problema quando começa a “falhar”. Isto porque a nossa sociedade prega uma visão de homem similar a um “macho alfa”, que está sempre apto a relações sexuais e a dominância. Este termo alfa vem da biologia, referindo-se ao macho dominante num grupo de animais que é o único a ter o direito de procriar com as fêmeas. Com o tempo, o alfa é desafiado e, caso perca a disputa, um novo macho assume este posto.


O problema se agrava justamente porque os homens tendem a não conversar sobre as “falhas”, por se sentirem envergonhados ou tristes, guardando para si toda angústia e ansiedade. Isto se dá pela ideia, extremamente disseminada em nossa sociedade, de que é a sexualidade que faz a masculinidade. Aquele que sofre com esses problemas passa a se questionar enquanto homem, a se sentir menos homem, a suspeitar inclusive de sua heterossexualidade (mesmo não possuindo desejo sexual por outros homens).


Neste ponto, o problema está instalado. O acumulo destes sentimentos ocorre de maneira parecida com um copo: o copo vai enchendo de gota em gota até um momento crucial onde uma gota faz o copo transbordar pelo acúmulo de água. E o principal motivo disto é justamente o fato de a maioria dos homens não se importar ou até mesmo negar seus aspectos afetivos e emocionais.

Em geral, estas falhas podem ser resumidas em dois grandes quadros: disfunção erétil e ejaculação precoce. Evidentemente existem outros diagnósticos, mas estes representam uma parcela bem menor dos casos.


A disfunção erétil (também conhecida como impotência sexual masculina ou transtorno erétil no DSM V) é uma dificuldade para iniciar e manter a ereção, o que termina por limitar a vida sexual do homem. Na ejaculação precoce, a ereção existe, mas sua duração tende a ser bastante rápida devido à ejaculação, o que torna a relação sexual insatisfatória. Tanto o homem como a sua parceira passam a sofrer com o problema, que como dito acima, é amplificado pelo silêncio e a dificuldade de abordar o tema.


Ambos os problemas geram inúmeros prejuízos para a saúde do homem e sua qualidade de vida. Afinal, muitas vezes o sexo tem uma função de dissipar a ansiedade e de oferecer momentos prazerosos. Sem isso, ansiedade, angústia e até mesmo sentimentos de tristeza profunda passam a fazer parte da vida do homem. Ele se sente amargurado pela perda de algo que considerava tão importante: sua atividade sexual Os danos são enormes para a autoestima do homem.


A parceira também é atingida, na medida em que começa a se questionar se ela é o motivo do problema: “será que meu companheiro não me deseja mais sexualmente?”, “será que ele me acha feia?”, “será que ele tem outra mulher?” São questionamentos bem comuns. O relacionamento a dois é afetado, o que geralmente motiva a busca por um tratamento.



Sintomas da disfunção erétil (ou impotência sexual masculina)

A principal característica deste transtorno é a falha repetida em obter ou manter ereções durante as atividades sexuais. É importante fazer um levantamento da história sexual do paciente, afim de examinar alguns critérios diagnósticos.


Muitos homens, cerca de 8% vivenciaram problemas de ereção sem contudo cumprirem os requisitos diagnósticos para o transtorno. Na faixa etária dos 40 aos 80 anos, aproximadamente 2% dos homens queixam-se de problemas na ereção frequentemente. Estas taxas de prevalência aumentam com o avançar da idade do paciente. Isto ocorre porque existe uma perda natural tanto em relação a libido (desejo sexual) como na potência. Contudo, o surgimento de medicações estimulantes ajudou muitos homens a contornarem estas dificuldades ocasionais.


Para a caracterizar a disfunção erétil, pelo menos um dos três sintomas seguintes deve ser vivenciado em quase todas ou em todas as ocasiões de atividade sexual:

  1. Dificuldade acentuada de obter ereção durante a atividade sexual.

  2. Dificuldade acentuada em manter uma ereção até o fim da atividade sexual.

  3. Diminuição acentuada na rigidez estéril.


Outros sinais são:

  • Vida sexual insatisfatória

  • Libido (ou desejo sexual) reduzida

  • Problemas no relacionamento

  • Estresse e/ou ansiedade

  • Baixa autoestima, sentimentos de vergonha e culpa

  • Dificuldades para engravidar a parceira.


Sintomas da ejaculação precoce

A ejaculação precoce possui uma prevalência de 1 a 3% dos homens com idade entre 18 e 70 anos. Existem indícios de traços genéticos, porém eles não são completamente determinantes. Algumas condições, como doenças da tireóide, prostatite e abstinência de drogas podem ser fatores associados. O transtorno também pode ser mais comum em homens com quadros de ansiedade, especialmente o transtorno de ansiedade social (fobia social).

O principal sinal da ejaculação precoce é a incapacidade de retardar a ejaculação por mais de um minuto após a penetração. O problema, contudo, pode ocorrer em outros contextos, como no caso da masturbação. Os critérios diagnósticos são estabelecidos por um especialista.


Basicamente a Ejaculação precoce é classificada em algumas categorias:

  1. Primária (Ao longo da vida): Ocorre quando a ejaculação precoce ocorre durante toda a vida sexual do homem ou quando esteve presente durante a maior parte do tempo, a contar das primeiras relações sexuais.

  2. Secundária (Adquirida): Ocorre quando a ejaculação precoce se desenvolve após relações sexuais anteriores sem problemas ejaculatórios.

  3. Generalizada: Ocorre sem considerar determinados tipos de estimulação, situações ou parceiros.

  4. Situacional: Ocorre somente com determinados tipos de estimulação, situações ou parceiros.


A gravidade da ejaculação precoce é dividida em:

  1. Leve: A ejaculação ocorre dentro de aproximadamente 30 segundos a 1 minuto após a penetração.

  2. Moderada: A ejaculação ocorre dentro de aproximadamente 15 a 30 segundos após a penetração.

  3. Grave: A ejaculação ocorre antes da atividade sexual, no início da atividade sexual ou dentro de 15 segundos após a penetração.


Fatores de risco para disfunção erétil e ejaculação precoce


Antes de enumerar alguns fatores de risco, é importante lembra que as ereções e a virilidade naturalmente decrescem com o envelhecimento do homem. Isto deve ser levado em consideração sempre que houver suspeita de ejaculação precoce ou disfunção erétil. Compreenda também que é esperado que num relacionamento o ritmo e a intensidade das relações sexuais diminuam com o passar dos anos.

Alcoolismo e dependência química (cigarro e outras drogas)

Algumas medicações de uso contínuo (como por exemplo antidepressivos)

Doenças cardíacas

Diabetes

Distúrbios do sono

Alterações na próstata

Cirurgia ou lesão na área pélvica ou medula espinhal

Problemas ou desregulações hormonais


Como surgem os problemas psicológicos

Em geral os transtornos sexuais se dividem em 3 categorias:

  1. De base fisiológica: o problema se inicia e se desenvolve a partir de uma disfunção no corpo, não havendo origens afetivas ou emocionais.

  2. De base psicológica: o problema se inicia e se desenvolve através de uma questão afetiva ou emocional. Os exames clínicos não constatam qualquer disfunção orgânica que justifique o surgimento dos problemas.

  3. Mistos: Quando uma alteração orgânica é acompanhada de questões afetivas/emocionais.

A grande questão é que, havendo a prevalência de fatores psicológicos na origem do transtorno sexual, o tratamento medicamentoso costuma ter uma eficácia bastante limitada. Alguns homens relatam inclusive não perceber a ação de medicações estimulantes, dada a tensão afetivo-emocional estabelecida. Mas como estes fatores psicológicos surgem?


O ciclo é na verdade uma dinâmica de ansiedade. Em uma certa noite, o homem devido ao nervosismo ou mesmo a uma alteração biológica normal tem uma falha com sua parceira. Isto produz sentimentos extremamente negativos. A partir daí, pensar numa relação sexual já gera ansiedade e angústia: o medo de repetir a falha.


Surge o medo dos julgamentos, o que impedem o homem de compartilhar seus sentimentos com outras pessoas. Muitas vezes a vergonha impede o paciente de conseguir se expressar com a própria parceira, gerando uma tensão psicológica enorme.


Toda uma cadeia ansiosa é estabelecida então. Além destes pensamentos, o homem passa a vigiar seu corpo, colocando grande atenção em sinais e desejando de forma completamente obcecada uma relação sexual normal. Isto obviamente gera um nervosismo, que passa a ser uma das ou mesmo a causa principal das falhas. Elas passam a se repetir, e o aumento dessa frequência vai gerando cada vez mais sentimentos de angustia, ansiedade e desesperança: o homem passa a temer jamais ter outra relação sexual satisfatória.


Neste contexto, a própria autocobrança do homem ou mesmo alguns sinais inconscientes apresentados pela parceira passam a destruir sua autoestima. Se a parceira, por exemplo, adota uma postura de cobrança, a dinâmica ansiosa é amplificada. Afinal, o próprio homem já se cobra bastante: aumentar esta tensão obviamente colabora com o problema.


Um outro fator que colabora é a busca por tratamento milagrosos. O homem muitas vezes acredita que resolverá o problema com um mês de tratamento médico ou psicoterapia. Isto, naturalmente, não acontece. O homem passa a acumular mais frustração e desesperança. Nesta altura o problema parece não ter solução.


Estabelecido este pensamento de que o problema jamais será resolvido, a tensão afetiva-emocional chega a seu auge, fazendo com que o homem passe a temer qualquer coisa que se associe a relação sexual. A própria libido (ou desejo sexual) é afetada, tendo uma diminuição brusca.


Por isto é importante que o Psicoterapeuta ou Médico conscientizem o paciente acerca desta dinâmica, orientado que a persistência no tratamento é essencial e que a melhora costuma demorar alguns meses na maioria dos casos. A boa notícia é que o problema tem sim solução.


As vezes é importante a participação da parceira, para que se compreenda como ela reage às falhas e para que seja orientada na conduta mais adequada para que as relações sexuais normais voltem a acontecer. Isto, entretanto, só é feito com o consentimento do paciente, que possui a prerrogativa de sigilo absoluto em seu tratamento.



Tratamento

Como dito anteriormente, a primeira etapa do tratamento é o diagnóstico. É preciso investigar se a origem do transtorno é orgânica ou psicológica. Isto acontece porque, no caso de uma disfunção corporal, a psicoterapia tem resultados limitados e vice versa. Esta etapa é feita junto a um especialista.


  1. Médico (Urologista, Psiquiatra, Endocrinologista): O tratamento consiste basicamente na identificação de disfunções orgânicas. Podem ocorrer devido a uma doença urológica, um transtorno mental ou mesmo por uma desregulação hormonal. A principal terapêutica utilizada é a medicamentosa.

  2. Sexológico: O tratamento deste profissional consiste num maior conhecimento teórico e prático acerca do corpo, das formas de estimulação e de orientações para melhorar a performance sexual, assim como a prescrição de exercício para prática diária.

  3. Psicoterapêutico: O tratamento é conduzido por um Psicólogo e consiste de encontros semanais com duração de 45 minutos a 1 hora. É um processo de autoconhecimento, de descarga afetiva emocional e de orientação acerca da sexualidade e de modelos cognitivos (ou técnicas). Também pode ser conduzida uma quebra de crenças acerca da masculinidade de acordo com a avaliação do profissional.

  • 3.1. Logoterapia: A Logoterapia é, na verdade uma escola de psicoterapia, criada por Viktor Emil Frankl. O autor documenta diversos casos de cura de Transtornos Sexuais, utilizando-se basicamente de duas técnicas próprias desta abordagem: a Intenção Paradoxal e a Derreflexão. Além disto, a própria abordagem do Sentido da Vida confrontará o paciente com a seguinte questão: qual o Sentido do Sexo na sua vida?

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REFERÊNCIAS

American Psychiatric Association. Manual diagnóstico e estatístico de transtornos mentais: DSM-5. 5ª Edição. Porto Alegre: Artmed, 2014.

FRANKL, Viktor Emil. A vontade de sentido: fundamentos e aplicações da Logoterapia. São Paulo: Paulus, 2011.


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