• Levi Soares

Consumo de drogas, alcoolismo e pandemia

Atualizado: Ago 7



Dia 26 de junho foi o dia internacional do combate às drogas. Um dos grandes problemas enfrentados pelo Brasil quando se fala em saúde mental é, sem sombra de dúvidas, o consumo de substâncias. Este é um problema multidisciplinar, na medida em que mobiliza os serviços de saúde, a segurança pública, dentre outras esferas do poder público.


Compreendemos que a melhor forma de combater às drogas é através do conhecimento: tanto em relação a seu funcionamento no corpo, como informando a população sobre os tratamentos e onde buscar ajuda. Por isto, abordaremos numa série de textos estes temas.


Recentemente, o UNODC ( Escritório das Nações Unidas sobre Drogas e Crime) divulgou um relatório preocupante: a crise gerada pelo Covid-19 intensificou os problemas gerados pelo consumo de substâncias ilícitas e, conseqüentemente, ligados á dependência química.


Isto acontece basicamente pelos desdobramentos sociais da crise: aumento do desemprego, exclusão social, dificuldades de acesso à educação, dentre outros problemas. Sabemos que estas questões têm afetado mais intensamente países subdesenvolvidos, como é o caso do brasil. Tudo isto colaborou para um aumento dos problemas, “sobrecarregando os sistemas de saúde e expondo as deficiências das redes de proteção social” (UNODOC, 2020).


No Brasil, pesquisadores alertam para o aumento no consumo de bebidas alcoólicas e de drogas ilícitas durante a pandemia: com os bares fechados, as pessoas passaram a beber em casa. Os consumidores justificam este aumento através da própria crise, criando assim um círculo vicioso (COLLUCI, FRANCO, 2020).

Para entender este fenômeno, é necessário saber o que é a dependência química.


Este conceito, basicamente se refere a quadros de descontrole e prejuízo em relação ao uso de determinada substância, como álcool ou cocaína. A dependência química, portanto, varia de acordo com a substância de uso, afinal, o álcool tem efeitos diferentes da cocaína no exemplo dado. Nas palavras do DSM V:





“A característica fundamental [e o desenvolvimento de uma alteração comportamental problemática específica a determinada substância, com concomitantes fisiológicos e cognitivos, devido a interrupção ou redução ao uso intenso e prolongado da substância. A síndrome específica da substância causa sofrimento clinicamente significativo ou prejuízo no funcionamento social, profissional ou em outras áreas importantes da vida do indivíduo” (APA


Estes prejuízos, como visto acima, ocorrem em diversas esferas da vida: faltas no trabalho, brigas familiares, divórcio, acidentes de trânsito... Nem sempre o dependente químico percebe o problema, o que termina por dificultar a busca de ajuda.


O quadro, muitas vezes, se inicia através do que se chama por uso recreativo. Por exemplo, existe um uso freqüente de drogas aos fins de semana. Exageros, em geral, estão ligados ao que se chama por intoxicação: os efeitos são mais passageiros e somem com mais facilidade.

E como nem tudo são trevas, é importante lembrar ao leitor: “é provável a maioria dos transtornos mentais induzidos por substância/medicamento, independentemente da gravidade dos sintomas, melhore de forma relativamente rápida com a abstinência, sendo difícil permanecer clinicamente relevante durante mais de um mês após a interrupção do uso (APA, p. 489).


Para isto, é importante lembrar que existem alternativas terapêuticas. A psicologia, assim como a psiquiatria têm muito a contribuir no tratamento. Consideramos que a informação é a principal arma para o combate às drogas (lícitas e ilícitas).

Abordaremos nos próximos textos os conceitos de dependência química, intoxicação, assim como as possibilidades terapêuticas. Traremos em nosso conteúdo exclusivos informações extremamente importantes para o tratamento, seja para você ou para alguém que você ama. Por isto, siga-nos nas redes sociais para ficar informado!


REFERÊNCIAS

American Psychiatric Association. Manual diagnóstico e estatístico de transtornos mentais: DSM-5. 5ª Edição. Porto Alegre: Artmed, 2014.

FRANKL, Viktor Emil. A vontade de sentido: fundamentos e aplicações da Logoterapia. São Paulo: Paulus, 2011.


https://www1.folha.uol.com.br/cotidiano/2020/05/abuso-de-alcool-e-drogas-tem-alta-na-pandemia.shtml


https://www.unodc.org/lpo-brazil/pt/frontpage/2020/06/relatrio-mundial-sobre-drogas-2020_-consumo-global-de-drogas-aumenta--enquanto-covid-19-impacta-mercado.html

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