• Levi Soares

A indústria pornográfica e a objetificação dos seres humanos: uma leitura filosófica

Atualizado: 27 de Nov de 2019



A palavra pornografia vem do grego antigo “pórné“, cujo significado é prostituta. O termo é utilizado para definir uma grande gama de materiais de teor sexual explícito, como por exemplo contos, fotografias e vídeos. Considera-se seu início na literatura do século XVIII e seu crescimento se dá juntamente ao desenvolvimento de tecnologias de fotografia e filmagem.


Este tipo de material enfrentou fortes censuras nos países ocidentais (e ainda é proibido em alguns países da África e do Oriente Médio); embora hoje tenha se estabelecido como uma indústria bastante lucrativa. Determinadas modalidades de pornografia até hoje são consideradas crimes graves na grande maioria dos lugares, como é o caso da pornografia infantil.


Em suma, a pornografia visa captar o ato sexual em suas mais variadas modalidades. Trata-se, na grande maioria dos casos, de uma cena montada e pré-estabelecida, onde os participantes (chamados de “atores” e “atrizes”) tem papéis muito bem definidos. Daí que, na indústria pornográfica, a alma seja uma mera expectadora em meio a artificialidade dos sentidos e sensações.


A cena pornográfica aprisiona a alma numa jaula, sob o julgo do corpo, onde não existe espaço para nada além do êxtase dos sentidos. É por isto que um filósofo inglês nos lembra que “o sexo, na cultura pornográfica, não é uma relação entre sujeitos, mas uma relação entre objetos” (SCRUTON, 2015).


O rosto, expressão máxima da singularidade humana e janela anímica, ele nos diz, não tem papel nenhum a desempenhar nestes casos. Os olhares quase não se cruzam. Não se vestem máscaras, na verdade, é como se o rosto não devesse estar ali. A pornografia se torna o lugar do impessoal, da não-pessoa.


O resultado mais óbvio disto tudo é a bestialização do homem. Reduzido a seus instintos, o homem desce ao reino das feras. Daí que ele se torne incapaz de olhar para seu semelhante como algo além de um corpo inabitado. Daí que a sexualidade passe a se dirigir não a alguém, mas a algo. É neste ponto que o homem desce mais alguns degraus.


Esses impactos, de fato, não se limitam àqueles que estão diretamente envolvidos com a indústria pornográfica. Esta dinâmica da objetificação do humano invade também o espectador, corroendo lentamente a maneira de enxergar outras pessoas até que a alma esteja completamente trancafiada no reino das coisas.


Por isto, Viktor Frankl nos lembra que o resgate da alma é, na verdade, o antídoto para esta bestialização. É neste contato com a singularidade dos rostos, ele nos lembra, com o irrepetível, que ocorre uma “realização francamente metafísica” (FRANKL, 2016), para além do mundo da matéria.





Referências

FRANKL, Viktor Emil. Psicoterapia e sentido da vida: fundamentos da logoterapia e análise existencial. 6ª Edição. São Paulo: Quadrante, 2016.

SCRUTON, Roger. O rosto de Deus. São Paulo: É Realizações, 2015.

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