• Levi Soares

A arte de estar bem consigo mesmo em tempos de quarentena




Tudo está ligado ao referencial, ao lugar do qual enxergamos. Talvez, há alguns meses atrás, pensar numa situação como essa fosse um pouco diferente. Imagine no começo de 2020 se você soubesse que teria a oportunidade de passar um tempo de um ou dois meses em casa? Certamente seu sentimento seria de alegria.


A grande questão é que todo este processo de quarentena que estamos vivendo é um beco sem saída. Afinal, simplesmente não existe escolha quanto a isto, o isolamento é algo necessário e inadiável. Explico: Existe uma grande diferença quando vivemos um processo de isolamento voluntário e involuntário.


Ao iniciar por exemplo um retiro religioso, a segurança de que aquele é um processo que pode ser interrompido a qualquer momento naturalmente cria uma ideia de segurança, juntamente com o fato de que o isolamento foi fruto de uma escolha. Existe ainda, neste caso, uma data prevista para o encerramento, o que também traz uma dose de conforto. Isto porque sabe-se que aquele isolamento não durará para sempre.


Contudo, quando situações de isolamento ocorrem se esta margem de segurança, a sensação natural é de medo e desespero. Afinal, filosoficamente o homem teme aquilo que desconhece. Consequentemente, numa situação onde não há controle é esperado que sentimentos negativos apareçam.


Um exemplo de um isolamento involuntário seria por exemplo uma pessoa que fica presa num elevador. Ela naturalmente não escolheu aquilo e sequer tem noção de quando aquela situação terá um fim. Pode ser em alguns minutos, pode levar horas. Tudo isto colabora para um sentimento de medo e insegurança.





É exatamente o que muitas pessoas vivem durante esta quarentena: uma experiência de isolamento contra a vontade. Com isto vemos o surgimento do tédio, já que muitas experiências prazerosas envolvem sair de casa. Soma-se a isto o fato de que não podemos encontrar as pessoas que amamos.


Este sentimento é aumentado pela internet. Muitas pessoas passam grande parte de seu dia conectadas, ansiosas por novas informações. Esta ansiedade gera um nervosismo, que faz crescer o medo e as preocupações.


Além disto, uma carga de estresse surge com o chamado Home Office, ou trabalho em casa. Para a maioria das pessoas, a partir do momento em que se deixa o ambiente de trabalho o mesmo é encerrado. Trabalhar em casa pode ter as suas vantagens, mas também acaba flexibilizando o tempo que estamos disponíveis para suas atividades.





Todos estes fatores podem levar ao adoecimento psíquico e, não por acaso, especialistas do mundo inteiro tem nos alertado para o aumento de casos de Transtornos Mentais. Caso você esteja vivenciado algum tipo de sofrimento, podemos ajudar!


Por isto, é importante lembrar de procurar saídas para este ciclo vicioso. Dedique-se a um hobby, ligue para seus familiares ou amigos, descubra novos divertimentos ou mesmo lembre-se daqueles que estavam esquecidos! Afinal, logo mais você pode sentir falta do tempo que tem agora...


Arte do post por Ross Sneddon:

http://rosssneddon.com/

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